terça-feira, 12 de maio de 2009

NCC-1701


Como não sei fazer resenha de filme, criticar atuações, e afins, vou só contar os pequenos aspectos da história que me incomodaram (e que impediram esse filme de ser extremamente bom -mas ainda assim distante do "absolutamente genial"-, na minha opinião, ao invés de "somente" muito divertido). Ou seja, muitos spoilers.

Mas primeiro, um elogio: ao "brincar" com viagens no tempo, gerando uma realidade alternativa, distinta da realidade mostrada nas demais séries e filmes anteriores, o roteirista conseguiu se livrar da ira dos fãs xiitas, que no caso puderam simplesmente aproveitar o filme sem se incomodarem com inconsistências (que fatalmente existiriam caso o filme estivesse relacionado a tudo o que já veio antes) ou leves alterações nas personalidades dos personagens. Ponto para ele!

Mas vamos aos "problemas".

Primeiramente, a cena do jovem Kirk dirigindo o carro (presente inclusive em trailers). A troco de que o moleque joga o carro do alto do penhasco? Só para "pagar de rebelde"? Ridículo! Isso não faz do guri-Kirk um rebelde, somente um idiota. Ficaria melhor se ao menos desse a entender que ele jogou o carro no desfiladeiro por acidente, enquanto tentava fugir do policial.

Outro problema: mostrarem a construção de uma nave daquele tamanho na Terra, e não no espaço. Sem chances.

Mais um problema: vulcanos "não tem emoção", mas o pequeno Spock era vítima de bullying em sua escolinha alienígena? Como pode? Os vulcaninhos "puro-sangue" não deveriam apresentar as emoções que os tornariam os pequenos pela-sacos que iam lá o tempo todo perturbar o Spockzinho por ele ser um híbrido...

Uma "piorada" na história: no teste do Kobayashi Maru original (Khaaaaaaaaaaaaaaaannnn!!!!), o Kirk ganha do "programa invencível" reprogramando-o, fazendo com que os "Klingons virtuais" tivessem medo de enfrentar o "terrível Capitão Kirk" (ou algo assim) em combate... Nessa nova versão, o Kirk também reprograma o teste, porém, faz com que "do nada" as naves Klingons da simulação percam seus escudos (e não apareçam os "infinitos reforços" normais), tornando-as alvos fáceis... Prefiro a reprogramação original...

Mais um problema: ao destruírem o planeta Vulcano, acho que exageraram na contagem de terem sobrevivido somente 10 mil membros da espécie (e quem liga para a fauna e a flora do planeta?)... Isso é muito pouco! Uma raça tão avançada permaneceu vivendo em um só planeta? Acho que com 10 mil se consegue a variabilidade genética necessária para se perpetuar a espécie (estou chutando; não tenho esse conhecimento), mas tendo em vista toda a tecnologia disponível, acho que deveriam ter trocado os 10 mil por 10 milhões... Ficaria melhor...

Mas também, o que importa o conceito de "variabilidade genética"? O Spock é um híbrido de humanos e vulcanos! Espécies diferentes! Ele nem mesmo poderia existir! E, no entanto, está lá, cumprimentando os outros, mostrando a palma da mão e separando o dedo médio do anelar...

Agora, o que eu acho que mais deve incomodar "em termos de roteiro" foi a extrema coincidência de o Kirk, tendo sido isolado pelo Spock do presente (dessa realidade do filme) em um planeta gelado, ter caído pertinho do lugar onde o Spock do futuro (da realidade original de Jornada nas Estrelas) estava... Como assim? Ambos não somente foram largados no mesmo planeta, como foram deixados juntinhos um do outro? E, para completar, estavam próximos de um posto avançado da Federação, neste mesmo planeta, onde estava o Scotty (o engenheiro, único membro da série clássica que ainda não estava na Enterprise até então)? Deus Ex Machina demais...

Por fim, temos a questão da "matéria vermelha"... Uma única gotícula é capaz de produzir um buraco negro com prazo de validade (como o que foi usado para consumir o planeta Vulcano e depois desapareceu...)... Se é assim, a quantidade de matéria vermelha presente naquela esfera enorme, "explodindo", deveria ter um efeito estupidamente devastador... Mas não... Foi só uma "singularidadezinha" ligeiramente mais vitaminada que o buraco negro que detonou o planeta Vulcano... Acho que o roteirista não se tocou da questão das proporções, nesse caso...

Se não fossem esses "pequenos problemas" que mencionei, o filme realmente teria sido extremamente bom!

Em todo caso, recomendo fortemente! Que eu me lembre agora, foi fácil o melhor filme do ano! Além do que, há tempos que eu não via um filme de ficção científica bom! O último foi qual, Serenity?

Agora, alguns recados:

George Lucas, veja esse filme, e aprenda como revitalizar franquias sem ofender os fãs mais antigos e destruir a obra original!

Warner, seja gananciosa, e libere o dinheiro para que seja feito um filme para cinema (espetacular, claro) situado no universo de Babylon 5, investindo no agora ressuscitado filão de ficção científica espacial!

Ah, até parece, a Warner não consegue nem mesmo dar um jeito na sua franquia de super-heróis...

Mas enfim, esse filme foi mesmo uma boa surpresa... Eu estava esperando algo absolutamente descerebrado; somente um grande videoclipe de cenas de ação despropositais e inverossímeis... Que bom que me enganei.

Vida longa e próspera.

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Update:

Mais uma reclamação, da qual me lembrei agora:

Kirk e Sulu caindo. Os computadores da Enterprise, pelo fato de eles não estarem "parados", não consegue fazer o teletransporte, então por causa disso o Chekov tem que fazer os cálculos "na mão"... E eu pergunto: como assim?

Os sistemas da Enterprise conseguem fazer contas de dobra espacial! Conseguem fazer contas para realizar um teletransporte! E vejam só: estar "parado" ou "se movendo" é algo relativo! O computador que faz as contas do teletransporte já tem que compensar, por exemplo, o fato de as pessoas sendo teletransportadas estarem numa superfície planetária, que tem rotação e translação (entre outras coisas)! Adicionar uma "velocidadezinha" (mesmo que variando, por conta da aceleração promovida pela gravidade de Vulcano, que devia ser mais ou menos igual à da Terra) a mais em um único vetor não é nada!

"Fica claro" que essa conta já é feita por uma questão de inércia: você remove alguém de uma superfície planetária, e a coloca sobre a plataforma de teletransporte no interior da Enterprise e, no instante seguinte após o término do teletransporte, a pessoa é arremessada com a mesma velocidade de translação do planeta em que estava em questão em direção a alguma parede da nave, e então se transforma em purê? Não!

No caso, se não fosse assim, ao serem teletransportados em queda livre, o Kirk e o Sulu iriam se estatelar no chão da plataforma de teletransporte da mesma forma...

Ou seja, tudo isso também torna a questão da morte da mãe do Spock ridícula, afinal, ela morreu porque também começou a "cair" no meio de um teletransporte...

Tudo isso só faria sentido caso fosse definido que a velocidade relativa entre as entidades teletransportadas e a Enterprise tivesse de ser zero para que o teletransporte fosse bem sucedido... Ou talvez nem assim! Afinal, por exemplo, imaginem que a Enterprise se encontra em órbita geoestacionário, e o indivíduo a ser teletransportado está do outro lado do planeta... Se as posições relativas entre ambos tivessem de permanecer inalteradas, o teletransportado iria reaparecer de cabeça para baixo na plataforma! Além do que, tenho certeza de que a matemática envolvendo teletransporte teria de levar em conta o Princípio da Incerteza de Heisenberg... Hehehehe...

E vejam só, nem mesmo estou reclamando de o Chekov ter tido de correr da ponte de comando até a sala dos teletransportadores para efetuar o teletransporte... Afinal, no futuro, eles desconhecem o conceito de "rede de computadores"? O Chekov não poderia acessar esses sistemas de teletransporte da ponte de comando, mesmo? Mas tudo bem, essa eu "deixo passar", afinal, nunca projetei uma nave espacial, e esse "problema" poderia ser explicado por uma questão de segurança, modularidade, ou sei lá mais o que...

Só ratificando, pois pode não ter ficado muito claro após tantas reclamações: eu gostei do filme!

Como sempre, só faltou mesmo uma consultoria científica mínima... Hehehehe...

domingo, 10 de maio de 2009

Feliz Dia das Mães!


Fui no aniversário de uma tia minha (irmã da minha mãe), na Lapa.

Lá, num determinado momento, havia uma menininha bonitinha e rebolativa, dançando pertinho de mim... De repente, a música pára, e se instaura, por alguns instantes, um silêncio sepulcral.

Nessa hora, minha mãe (que normalmente já fala alto, mas estava falando ainda mais alto por ter adaptado o tom de voz ao barulho normal do ambiente) vira para mim e pergunta: "E então, você vai fazer exame de fezes?"*...

Muito bem! Boa! Parabéns, mãe!

Então, um feliz Dia das Mães a todas essas mulheres que têm por missão constranger sua prole!

*Só esclarecendo: nesse dia, horas antes, um primo meu havia comentado que estava mal, e que havia feito exame de fezes e, assim, descoberto a origem de seu problema... Ele disse que não tinha como saber se o problema era a porca comida da faculdade, ou se era a comida da minha casa (muita salada...), e que por conta disso recomendava que eu também fizesse tal exame...

O parágrafo acima é inútil para a história; só o escrevi para indicar que minha mãe não é maluca (mentira, é, sim... hehehe...) e que não tirou a história do exame de fezes do nada...

quarta-feira, 6 de maio de 2009

A Educação e o Leão


Ministério Público defende dedução total de gastos com educação no Imposto de Renda

Duvido que aconteça. Porém, caso venha a ocorrer, também acredito que essa carga tributária nos será cobrada de outras formas e, mais do que isso, "no frigir dos ovos" a conta será ligeiramente mais alta do que antes.

Mesmo assim, considero válida qualquer iniciativa que leve a um aumento no nível de educação do povo.

Mas aí já começaram a aparecer os comunistas de fundo de quintal, afirmando que isso só aumentaria as desigualdades, pois quem tem dinheiro teria condições de investir ainda mais em educação do que quem não tem...

O tempo é um recurso finito. Quem tem dinheiro sabe que precisa de educação, assim sendo já investe bastante nela. Não vejo como esses "incentivos fiscais" fariam com que quem já tem dinheiro para pagar por uma boa educação passasse a estudar muito mais do que já estuda. Em termos de instrução (e não em termos financeiros...), para essa parcela da população, as mudanças seriam pequenas... Quem seria realmente beneficiado por isso seriam as pessoas que só não estudam mais (e "de verdade" - isto é, em boas escolas, por exemplo) porque não podem pagar por isso...

Mas ignoremos o fato descrito no parágrafo acima. Imaginemos que tal dedução provocaria um aumento no nível de instrução proporcional à renda das pessoas. Mesmo assim, como poderia alguém ser contra isso?

"Prefiro viver num chiqueiro chafurdando na lama e ver meu vizinho morando num casebre rústico a viver numa cobertura e ver meu vizinho morando numa mansão digna de um czar!". Ridículo.

Os comunistas de botequim realmente preferem ver todos se ferrando igualmente a ver todo mundo bem, mas com uns se saindo melhor do que outros...

Ah, essa raça humana...

P.S.: As expressões que usei compostas com o termo "comunistas" não têm por objetivo serem ofensivas para com os comunistas de verdade, que a meu ver são só "malucos", e não imbecis... Hehehehe...

sábado, 2 de maio de 2009

Sinal dos tempos


Na quinta-feira passada, uma mulher me disse que eu não sou nerd.

Como assim? O que está acontecendo com o mundo? E que tipo de homens ela deve conhecer, para dizer que eu não sou nerd?

Nem sei o que pensar... Sinto-me abalado! Removeram o chão sob meus pés! Os alicerces de minha personalidade! -hahahahahahaha...-

Se alguém que gosta de falar sobre física, matemática, biologia, filosofia, tecnologia, mitologia, história antiga (e até paleontologia, relembrando minha saudosa infância, hehehehe...) e afins não é nerd, eu não sei o que possa ser...

E, para "piorar", na hora em que ela me disse isso, eu estava usando a minha camiseta do Gato de Schrödinger!

Só pode ser o fim do mundo.

P.S.: Imagem do post meramente ilustrativa.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Prioridades


Ontem, presenciei a seguinte situação: uma menina, estudante de moda, e outra, já formada em moda, ficaram discutindo com relação a um vestido que a estudante está confeccionando para uso próprio.

Devo dizer que a conversa era intrigante: eu nunca seria capaz de imaginar que existia tamanha quantidade de atributos para se levar em conta na produção de uma única roupa!

E as medidas, então? Busto, cintura e quadris eu sei que existem, claro (mesmo com os números não tendo qualquer significado para mim), mas elas debatiam outras medidas femininas que eu até então desconhecia! Claro que agora já esqueci tudo, mas pelo menos eu sei que há "medidas femininas", digamos, "esquisitas"... Acho que vou andar por aí com fita métrica e paquímetro, para verificar as proporções da mulherada.

Mas enfim, essa história toda foi somente para ilustrar que as mulheres não sabem priorizar. Mesmo conversando durante muito tempo, sobre muitos aspectos da vestimenta, as garotas em momento algum tocaram no atributo mais importante de uma roupa feminina: facilidade/velocidade de remoção.

Claro que eu as lembrei disso, mas fui sumariamente ignorado. Vejam bem, fiéis leitores, ignorado, e não desprezado. Imaginem que alguém me diga o resultado de um jogo de quarta de final entre os times X e Y da série Z de um campeonato de futebol regional em Serra Leoa (sendo que eu sou leigo em futebol a ponto de ser incapaz de chutar uma bola para a frente com sucesso). Imaginem minha reação (nem sei citar as copas do mundo que o Brasil ganhou...). Pois bem, foi essa a reação que as garotas tiveram, após ouvir meu mais do que pertinente comentário, e então em seguida voltaram a discutir o que estavam discutindo antes de serem interrompidas por mim.

Mas o que eu achei interessante foi que meu comentário, realmente, não foi desprezado, e sim tratado como se fosse algo absolutamente irrelevante!

Definitivamente, as mulheres, como já falei, não têm a menor capacidade de priorizar efetivamente as coisas...

E eu nem mesmo me ofereci para testar esse quesito da remoção, quando a menina estiver usando o vestido pronto...

Realmente. Farei essa proposta amanhã.

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Update:

Fiz a proposta, e a menina aceitou!

Porém, como ela não é, digamos, "particularmente atenta ou perceptiva", achei que ela não tinha compreendido muito bem o diálogo que tinha acabado de acontecer...

Mais tarde, fui "mais didático", e ela então rejeitou minha proposta (como eu havia suposto, ela não havia entendido anteriormente...), dizendo que eu sou "sem-vergonha"... Hahahahaha...

Campanha


Se você está saindo de determinado ambiente (ou entrando nele), segurar a porta para que as pessoas que estão atrás de você também possam sair (ou entrar) não é nada de mais; só um gesto de educação. Inclusive, este gesto pode ser realizado "na íntegra" ou "por tempo limitado" (caso, por exemplo, a pessoa que vai passar depois de você passe a segurar a porta), desde que não se bata a porta na cara de ninguém.

Ao ser agraciado com tal gentileza, o que a pessoa deve fazer? Simples: agradecer. Todos aqueles para quem faço essa gentileza sempre me agradecem. Todos, menos... as mulheres bonitas. Tá, algumas agradecem, mas são poucas.

Mulher bonita, em geral, tem a mania de achar que pode tudo só porque é bonita e/ou que qualquer gentileza que tenha a ela sido direcionada assim o foi somente porque ela é bonita. Só que isso não é verdade. Segurar uma porta é um favor que não depende do sexo, idade ou aparência do favorecido.

Quando o trânsito está lento, e os pedestres querem atravessar fora da faixa, você deixa... E as pessoas agradecem... Menos as mulheres bonitas. Chego a pensar até que elas ficam decepcionadas por não receberem uma buzinada enquanto passam. Se bobear, devem até resmungar "viadinho", ou algo do gênero, por conta disso, enquanto atravessam...

Uma vez, inclusive, ao segurar uma porta para uma mulher bonita passar, ela não só não agradeceu, como não retornou o gesto (havia uma outra porta logo em seguida). A mulher quase que bateu a segunda porta na minha cara!

Então, pessoas, vos digo que isso não pode continuar! Essas menininhas bonitas precisam aprender boas maneiras! E é por isso que, agora, lanço uma campanha de conscientização para a população em geral!

"Eduque uma mulher bonita: dê a ela palmadas no bumbum!"

É a única maneira de se efetivamente ensinar bons modos a menininhas malcriadas.

Até em Bengala já se sabia disso.

sábado, 25 de abril de 2009

Presságio


Não sei fazer críticas como meu colega deste blog. Assim sendo, apenas farei alguns comentários com relação ao desenrolar do filme (ou seja, há spoilers).

John Koestler (Nicolas Cage) é viúvo. Físico (acho...) e professor no MIT, tenta criar sozinho seu filho Caleb (Chandler Canterbury - agora chega; não vou mais ficar procurando o nome dos atores). Seu pai é pastor e, por conta de algumas "diferenças" com respeito às suas "visões de mundo", os dois não se falam há tempos.

O molequinho estuda numa escola fundada há 50 anos. Em sua inauguração (há 50 anos atrás...), os alunos fizeram desenhos imaginando como seria o futuro e os colocaram numa cápsula do tempo. Todos fizeram isso, exceto Lucinda, a menininha-assustadora-de-cabelos-negros-padrão, que escreveu uma série ininterrupta de números, movida por barulhos esquisitos que ouvia em sua cabeça.

E, 50 anos depois, é justamente essa folha cheia de números que o Caleb recebe, ao abrirem a cápsula do tempo na comemoração do aniversário da escola.

Como o Cage se recusa a sair para pegar mulher e não tem mais o que fazer, resolve estudar essa folha. Como eu disse, nela há somente números (não há nem vírgulas nem nada separando-os). Ele nota a data do atentado de 11 de setembro de 2001, lá (no caso, ele vê 09112001, número esse "largado" no meio a folha), e, sem ter o que fazer (como eu já havia dito), dá uma olhada no Google (verdadeiro oráculo de Delfos da modernidade), e vê que a seqüência de dígitos que segue os já aleatórios dígitos por ele escolhidos fornece a quantidade de mortos no atentado.

Aí o John fica malucão e, num arroubo infinitamente superior a todos os outros arroubos de coçação de saco já registrados em Hollywood (que eu me lembre agora, pelo menos), resolve checar simplesmente TODOS os números da lista (sendo que não há um padrão, pois o números de dígitos descrevendo quantidade de mortos pode variar, o que o obriga a ir andando de dígito em dígito, percorrendo toda a lista várias e várias vezes...)! Nesse processo, ele encontra perdidos no meio dela, em ordem cronológica, várias tragédias que ocorreram ao longo dos últimos 50 anos. Mesmo assim, entre uma seqüência de números descritiva de tragédia e outra, há seqüências de números para os quais ele (ainda) não encontrou explicação.

O filme, num primeiro momento, tenta opor a "visão de mundo" que descreve a existência como uma sucessão de eventos probabilísticos (olá, física quântica!) à uma "visão de mundo" determinística (mas fica claro que não se trata de um "determinismo de Física Clássica", digamos assim, mas de um "determinismo derivado de um plano maior"). O John, num primeiro momento, se mostra, como um "bom cientista", partidário da primeira corrente (mas deixa claro que o é não por ser um "bom cientista", mas sim porque "mimimi, minha esposa morreu num acidente, então Deus não existe por conta disso e o Universo gira em torno do meu umbigo por eu ter tal posicionamento só por conta de uma tragédia pessoal e não por conta de evidências científicas, mimimi"...). Só que, com a aparição dessa folha com os números, ele fica "maluco" (principalmente porque nela estava sendo mostrada também a tragédia que havia vitimado a esposa dele, no passado), achando que poderia ter impedido a morte da esposa caso estivesse de posse da folha na época.

Claro que esse pensamento é uma estupidez, afinal, se o futuro foi previsto (logo, o universo é determinístico), a sua tentativa de impedir que ele aconteça também foi "computada no cálculo geral das coisas" (imaginem só a quantidade verdadeiramente infinita de variáveis que entra na conta para se "prever o futuro"), logo, ela não vai dar em nada. Porém, mais uma vez, como tudo já está escrito, você vai lá perder seu tempo e tentar assim mesmo.

Ainda tinham mais 3 catástrofes listadas na folha para ocorrer. Ao presenciar a primeira, o Cage percebe que os números não decifrados eram coordenadas de GPS (esperta a menina de 50 anos atrás, não?). Ele, então, vai procurar a autora dessa folha, mas encontra a filha dela, Diana, e a neta, Abby, e descobre que a mulher morreu. A neta da garota também ouve as tais vozes (que são "faladas" por homens de preto...), e o Caleb também passa a escutá-las (tanto que ele tira o aparelho de ouvido quando não está com saco de ouvi-las, mas depois de um tempo isso deixa de adiantar e ele continua as ouvindo mesmo assim).

Faltam 2 tragédias. O Cage vai até Nova York tentar impedir uma, e é claro que dá errado (como eu já havia exposto numa linha de raciocínio anterior), e morre um monte de gente mesmo assim. Ele comenta isso com um colega cientista do MIT, e este diz que sua "mente científica" o avisa para "esquecer essa história"... Só comentei essa parte porque, por favor, isso é um absurdo! Que "mente científica" é essa, que avisa alguém para enfiar a cabeça na terra como uma avestruz, de modo a ignorar uma evidência absurda de que a existência seria determinística? Simplesmente ridículo! Vale ressaltar que seria uma evidência de "determinismo de Física Clássica", e não "determinismo de plano superior"... Mas eu não sei se o roteirista e o diretor entendem a diferença. Mas isso não importa...

Mas voltando. Juntamente com a filha da Lucinda, o Cage descobre que a raça humana será obliterada na última tragédia. O que ocorrerá será a emissão de uma labareda do Sol, que fritará o planeta (ou seja, está na cara que não dá para impedir MESMO)!

Como está tudo indo para o espaço, o Cage resolve ligar para o pai pastor, e dizer para ele e o resto da família se mandarem com mantimentos para alguma caverna, e ficar por lá (isso seria inútil frente a uma labareda que irá privar o planeta de água e, inclusive, de atmosfera, mas o pastor, é claro, não sabe disso), no que o pastor, do alto de sua ignorância religiosa, responde que "não vai fazer nada; vai é ficar em casa e deixar que seja feita a vontade do deus dele"...

Isso me lembrou de uma piada: estava tendo uma enchente na cidade de um religioso. Passou um cara de jipe, e se ofereceu para tirar o mané da casa dele. O religioso disse que não iria a lugar nenhum, pois deus o salvaria. O tempo passa, a água sobe, e aparece um cara de barco, também se oferecendo para salvar o religioso, que dá a mesma resposta. Com a água já no teto da casa, aparece um cara de helicóptero, e mais uma vez o religioso disse a mesma coisa. Pois bem, ele morreu. Chegou no céu e foi tirar satisfações com deus, reclamando que sempre havia sido muito fiel, penitente e não sei mais o que, mas que no final das contas deus não o tinha salvado da enchente. Deus, então, respondeu: "eu te mandei um jipe, um barco, e até um helicóptero, mas você não quis sair de lá! Tu é burro pra c@r@lho; p#t@ que o pariu!" (tá, a resposta não foi bem essa, mas está aí a idéia)...

Mas que seja, isso foi só para comentar um pouco sobre estupidez religiosa (bastante pertinente, afinal, o personagem era um pastor).

Os homens de preto (só a Abby e o Caleb os escutam, mas todo mundo pode vê-los), numa situação que não vale a pena contar, seqüestram as crianças (a Abby e o Caleb...), e os levam para a última coordenada de GPS escrita pela Lucinda. O John chega lá logo depois (a Diana tinha morrido num acidente de carro, perseguindo os homens de preto após estes terem seqüestrado as criancinhas).

Lá chegando, ocorre a "revelação": os homens de preto são E.T.s! Eles são de uma raça de desocupados espaciais que fica viajando pelo cosmos, chegando em planetas com vida inteligente, e sussurrando telepaticamente o futuro para os seus habitantes (os alienígenas tem tecnologia para singrar o cosmos, e também conhecem a estrutura determinística da existência, e, é claro, agem de acordo com ela, até porque não fazê-lo seria impossível). Os habitantes capazes de ouvir o sussurro telepático (que era inclusive captado pelo aparelho de audição do Caleb, e não me perguntem como um equipamento que lida com ondas sonoras pode captar "vozes" "faladas" diretamente no seu cérebro) são os "selecionados" pelos E.T.s para serem salvos das mega catástrofes planetárias e levados para outro planeta para continuar suas vidinhas de playmobil (afinal, não há livre arbítrio). O "curioso" é que só são selecionados 2, um macho e uma fêmea (no caso, o Caleb e a Abby) e, já que estão nessa, mesmo, os aliens brincam de arca de Noé (história clonada da do Utnapishtim, presente na Epopéia de Gilgamesh) e pegam também um casal de animais de cada espécie, e os levam para fora da Terra antes que esta seja bem passada pelo Sol.

O Cage, sabendo que vai morrer, mesmo, vai para a casa do pai ser frito em família. Vale ressaltar que a casa do pai dele demonstrava um "alto poder aquisitivo" por parte do coroa, o que demonstra que ser pastor é uma boa opção de carreira em qualquer parte. Mas pelo menos o velho se mostrou um religioso de verdade, o que, pelo menos a meu ver, é um atenuante (ele enganou a si mesmo antes de enganar os outros).

Os aliens, então, largam as duas criancinhas e os demais animais da Terra num outro planeta alienígena, e se mandam, o que demonstra como são escrotos: primeiramente, só com um representante de cada sexo de uma espécie não há variabilidade genética suficiente para que a espécie sobreviva! Ou seja, os E.T.S se deram ao trabalho de cruzar o universo só para fazer com que as espécies de animais da Terra sejam extintas em outro planeta, em vez de na própria Terra. Em todo caso, como o universo é determinístico, não é culpa dos E.T.s, eles simplesmente tem que se dar a esse trabalho "porque sim", o que, pensando bem, deve deixá-los muito fulos da vida.

Mas há outra "interpretação": esse filme ignora completamente a existência da física quântica (afinal, no universo apresentado na película, a existência é determinística), então qual é o problema de ignorar também a biologia, e assumir que só com um macho e uma fêmea de cada espécie, se pode dar continuidade à mesma? Inclusive, nota-se que os aliens tem "asas" de "energia" (eles meio que são "feitos" de "energia", na falta de um termo descritivo melhor), então a partir daí pode-se inferir que a idéia de "anjos" e o conceito de "religião" teriam surgido devido ao contato dos primeiros humanos do planeta com esses aliens, sendo que, no caso, esses primeiros humanos teriam sido trazidos aqui pelos próprios aliens, juntamente com nossa fauna (ou seja, nada de evolução; viva o criacionismo alienígena!)...

Mas, mesmo com essa interpretação, os E.T.S continuam sendo escrotos, pois levaram os animais para outro planeta, mas não levaram as plantas! Os herbívoros vão, por acaso, comer a vegetação alienígena do planeta onde foram parar? Aposto que aquelas folhas reluzentes da árvore prateada mostrada no final provocam diarréia! Então, os herbívoros morrem sem comida, e os carnívoros morrem sem os herbívoros... E, para complementar a escrotidão dos alienígenas, eles largaram as criancinhas sozinhas nesse mundo! Como elas vão conseguir comida e abrigo? Vão morrer em dois tempos! Mas, de novo: não é culpa dos E.T.s, o universo é que é determinísticos e os força a cometerem esses atos cruéis e inúteis...

Outra curiosidade: em determinado momento, os aliens mencionam que os mortos "vão para um lugar melhor". Mas não dá para saber se só estão querendo ser "bonzinhos", ou "escrotos", dependendo da interpretação, enrolando todo mundo ("Não, imagina, que isso, não estamos deixando vocês todos aí para fritar a troco de nada; depois dessa vocês vão para o paraíso..."), ou se no "universo" definido pelo filme, realmente, o "além-vida" existe. Em todo caso, é essa a interpretação que o Cage assume ("vou morrer e vou para o céu, porque fui um bom menino esse ano"), antes de ir para a casa do pai morrer com a família. E ele também assume a interpretação "determinismo de um plano maior", em vez do "determinismo de Física Clássica", apesar de não haver em momento algum do filme qualquer evidência que indique que o "determinismo" desse universo é o primeiro em vez do segundo. Não sei se isso aconteceu porque o roteirista e o diretor do filme não sabem a diferença entre ambos, ou se simplesmente porque isso combina com a postura do personagem, mesmo.

Enfim, achei esse filme meio esquisito, pois ao mesmo tempo em que ele ignora a ciência (física e biologia), ele lida com extraterrestres... É meio que um filme de temática religiosa "misturado" com ficção científica por conta dos E.T.s. É meio bizarro, o que faz com que eu não consiga dizer se gostei ou não. E, só para deixar claro, não é implicância com a "visão religiosa" do filme. Esse foi o "universo" estabelecido para a história e fim, nada contra. Gosto de diversas histórias que se passam em universos também absurdos. Só achei a mistura estranha, mesmo...

Reza a lenda que um dos objetivos desse filme seria levar o espectador a discutir se o futuro pode ser mesmo previsto ou não, ou algo do tipo. Se isso for verdade, pelo menos na minha opinião, ao estabelecer que, na história, o que está valendo é o determinismo, o filme falhou miseravelmente. Se era mesmo para estimular discussão, acho que o filme deveria deixar essa questão ambígua... Mas não importa, isso é exigir demais de um "filme pipoca".

Ah, sim: faltou comentar com relação ao desempenho dos atores! Não o fiz porque, hããããã, não sei fazer. Só o que consigo dizer é que nenhum deles me deixou irritado. Acho que isso deve valer de algo.

Para terminar esse texto gigantesco, mais 2 detalhes:

1 - As informações sobre o Sol dadas pelos alunos do MIT do Cage estão erradas (mas que burros; dá zero para eles!);

2 - O Cage diz que, quando a mulher dele morreu, ele não sentiu nada, mas que antes disso sempre tinha acreditado que se sente algo quando nossos entes queridos se vão... Como assim? Que cientista era esse? Mas enfim, esse detalhe só serve para reforçar a minha descrição do "mimimi" do personagem do Cage com relação à postura dele de "acreditar" num universo probabilístico num primeiro momento da história do filme baseado única e exclusivamente em suas mágoas pessoais, e não em evidências científicas...